segunda-feira, 6 de maio de 2013

NHÁ CHICA - A SANTA DO CAMINHO DO COMÉRCIO


José Francisco Mattos e Silva

Independentemente da sua religião ou da sua fé, independentemente da minha também, o dia de hoje para todos os nascidos no Sul das Minas Gerais é muito significativo. Quase todos, senão todos, desde os tempos de criança ouvíamos, as vezes assombrados, as histórias de Nhá Chica. Nhá Chica, que nasceu no arraial do Rio das Mortes, cresceu e viveu em Baependi, nas estradas reais e nos caminhos que construíram o Brasil, o caminho do comércio.

Filha de escravos, analfabeta, simples, mulher que abraçou a riqueza do amor. Em sua casa, uma cama, seis bancos, um fogão a lenha, seus objetos, um sombrinha, um terço. Sua roupa, um único vestido. Nhá Chica soube ser gente, atraiu os homens cultos do Império, abraçou os pobres, consolou os famintos, muito mais do que pão, alimentou o povo de sua época com a generosidade ao saber ouvir, aconselhar e nas despedidas nas quais recomendava, com esperanças: "vou falar com minha Sinhá ".

Nhá Chica de Baependi que no Tupi significa "qual é sua nação?", de onde é sua terra. Somos cidadãos do céu, todos, indistintamente. Baependi é hoje a cidade de todos os mineiros, naquele pedaço de chão, antigo e famoso pelas histórias das visitas da Família Imperial, dos Coronéis e do povo bom e acolhedor de umas das cidades mais importantes na história de Minas Gerais, cabe hoje o ouvir, o pensar, o olhar e o coração de todos os filhos da Alterosas, sobretudo os do Sul de Minas.

Na minha infância, lembro-me bem das histórias contadas pelo saudoso Sr. Alberto Pena, sobre sua meninice em Baependi e as histórias que ele ouvia daqueles que foram contemporâneos de Nhá Chica. Confesso que ficava assustado com os ditos milagres, ao mesmo tempo, curioso e como sempre, até hoje sofro disto, duvidava.

Nhá Chica ensina-nos também a acreditar, "isso acontece porque rezo com fé". Infelizmente, duvidamos de nós mesmos, somos fracos e por faltar a humildade do reconhecimento de nossas fraquezas, não chegamos lá... Mas ela, Nhá Chica, conseguiu não tendo vergonha de ser gente simples, olhar manso, sereno, mãos envelhecidas, frágil mulher forte, a primeira dos mineiros...

Minhas avós, Josefina e Ruth, também nutriam grande afeição e devoção por Nhá Chica. Nos últimos dias imagino como seria a reação destes todos neste dia 04 de maio, quando naquela Serra de Santa Maria do Baependi um Cardeal proclama, em nome da Igreja Católica, Francisca Paula de Jesus, Nhá Chica como Beata, beata no sentido exato da palavra. Beata vem do italiano e significa quem é feliz e quem foi feliz segurando sua sombrinha, sentado ao lado do fogão a lenha, construindo seu templo onde cultivou suas virtudes, a maior delas a de ser tipicamente mineira, tipicamente uma santa brasileira.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

A MANGUARA DO VIANDANTE





Marcos Paulo de Souza Miranda

O título deste post talvez soe estranho a muitos, pois “manguara” e “viandante” são palavras pouco utilizadas atualmente, e podem suscitar associações maliciosas descabidas.

Mas falamos de expressões que eram muito comuns nos séculos XVIII e XIX, quando o trânsito de pessoas pelos antigos caminhos reais era cotidiano e perigoso.

Expliquemo-nos.

Viandante é sinônimo de andador, andarilho, caminhante, caminheiro, ou seja, aquele que anda a pé, palavra que aparece no Diccionario da Lingua Portugueza, de Morais e Silva, publicado em Lisboa em  1799.

Manguara, por sua vez, nada mais é do que uma vara grande, mais grossa na extremidade inferior, própria para caminhar em terreno difícil ou escorregadio. Ou seja, porrete ou cajado.

O mineiro, de Campanha, Francisco de Paula Ferreira de Rezende (1832-1893), em seu livro “Minhas Recordações”, ao tratar do vestuário dos homens de seus tempos de rapaz registra o uso de “chapéu de palha de abas mais ou menos largas e uma mangoara na mão, de que se tinha sempre um grande sortimento encostado a um canto da sala de entrada; mangoara essa que servia a quem a levava, além do mais, primeiro para matar cobras; segundo para ajuda-lo a caminhar ou a dar algum pulo; e terceiro finalmente para defende-lo contra tudo e contra todos”.

Dessa forma, se você se deparar com algum viandante com a manguara na mão pelo Caminho do Comércio,  não se assuste.  

É apenas a manutenção de uma velha tradição

Giacomo Ceruti. Ritratto di viandante. Seconda metà del XVIII secolo

quarta-feira, 1 de maio de 2013

DESCOBERTAS RUÍNAS DA CAPELA ONDE FOI BATIZADA NHÁ CHICA ÀS MARGENS DO CAMINHO DO COMÉRCIO


O ARRAIAL DE SANTO ANTÔNIO  DO RIO DAS MORTES PEQUENO FICAVA ÀS MARGENS DO CAMINHO DO COMÉRCIO E LÁ, INCLUSIVE,  FICOU HOSPEDADO SAINT-HILAIRE------Alicerces da fé são revelados na capela de Nhá ChicaÀs vésperas da beatificação, que deve reunir 40 mil católicos em Baependi, voluntários descobrem piso de pedras da capela em São João del-Rei, onde Nhá Chica foi batizada em 1810


Publicação: 01/05/2013 06:00 Atualização: 01/05/2013 07:38

 (ADRIANA ZIM/DIVULGAÇÃO
)
Na semana em que Francisca de Paula de Jesus (1810-1895), a Nhá Chica, será beatificada, em Baependi, no Sul de Minas, onde viveu por oito décadas, o anúncio de uma descoberta surpreende e joga mais luz sobre a história da filha de uma ex-escrava que dedicou seus dias à fé em Deus, humildade e solidariedade humana. De forma inesperada, um grupo encontrou o piso da Capela de Santo Antônio, no distrito de Santo Antônio do Rio das Mortes Pequeno, em São João del-Rei, Campos das Vertentes, na qual a menina foi batizada, em 26 de abril de 1810.

“Foi uma bênção, pois achamos o piso de pedras no dia 23, três dias, portanto, antes da data em que Nhá Chica foi levada à pia batismal”, diz o escultor Osni Paiva, autor da imagem oficial da beata, com policromia do restaurador Carlos Magno Araújo, que irá para o altar da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, conhecida também como Santuário de Nhá Chica, no Centro de Baependi. A festa de beatificação, no sábado, às 15h, deverá reunir cerca de 40 mil católicos.

A nova imagem de Nhá Chica, esculpida em cedro, com 1m de altura, seguiu ontem do ateliê em São João del-Rei para Baependi. Segundo Osni Paiva, a elaboração da peça seguiu orientações do bispo diocesano de Campanha, dom frei Diamantino Prata de Carvalho, à qual Baependi está vinculada. A partir da cerimônia em que a mineira se tornará Bem-aventurada Nhá Chica ou Beata Nhá Chica – etapa anterior à canonização, que significa se tornar santa –, a tradicional imagem da idosa sentada numa cadeira e mãos apoiadas num guarda-chuva vai mudar de figura. No altar, estará de pé, de braços abertos, significando acolhimento, semblante mais leve, veste cor-de-rosa e com um rosário na mão direita. Segundo especialistas, apenas os chamados doutores da Igreja podem ter imagens sentados numa cadeira. Anteriormente, Osni fez uma imagem menor, sem policromia, que foi publicada na capa da novena de Nhá Chica. 
Voluntários encontraram o piso original da capela numa propriedade particular (ADRIANA ZIM/DIVULGAÇÃO
)
Voluntários encontraram o piso original da capela numa propriedade particular
As ruínas da capela primitiva, erguida por volta de 1920 em taipa de pilão e desaparecida com o tempo, ficam na propriedade de José Antônio Rios, no distrito de Santo Antônio do Rio das Mortes Pequeno, a 12 quilômetros do Centro de São João del-Rei. “Sabíamos da existência do lugar e que ali havia sido batizada Nhá Chica também. Tendo em vista a proximidade da beatificação, decidimos pôr no local uma réplica da pia batismal, de granito”, conta Osni. A original está na igreja edificada em 1876, a três quilômetros da antiga, para onde foram transferidas as peças sacras. “Estávamos em equipe e um dos homens começou a furar o buraco para instalar a pia, quando a ferramenta bateu nas pedras no fundo. Então, começamos a escavar e vimos que sob a terra estava o alicerce do batistério, inclusive com a marca de onde ficava a pia”, revela o escultor.

Reconhecimento“O dono da propriedade é muito religioso e nunca se opôs às nossas idas ao local. Há muito espaço para ser escavado e, com certeza, vamos encontrar o piso do restante da capela”, adianta Osni. A descoberta arqueológica, que o Estado de Minas apresenta com exclusividade e será publicado na revista Memória Cult, já mereceu avaliação do integrante do Instituto Histórico e Geográfico e Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural, ambos de São João del-Rei, José Antônio de Ávila Sacramento. O alicerce fica numa profundidade de 90 centímetros.

“Trata-se de um precioso achado arqueológico que representa muito para a história da região da antiga comarca do Rio das Mortes, bem como para a memória de Minas e do Brasil”, diz José Antônio. Segundo ele, há registros de que, em 1722, na primitiva capela, foi instalado o Compromisso da Irmandade de Santo Antônio do Rio das Mortes Pequeno. No templo, casaram-se, em 29 de junho de 1724, Júlia Maria da Caridade e Diogo Garcia da Cruz (ela, ilhoa do Faial, arquipélago dos Açores), que se constituíram em importante tronco de uma descendência enorme, que se espalhou pelo território mineiro, São Paulo, Goiás e outros”, afirma.

TOMBAMENTO
O conselheiro José Antônio de Ávila Sacramento lamenta que, apesar dos esforços, o sítio arqueológico ainda não tenha sido oficialmente protegido nem teve aberto o processo de tombamento pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural de São João del-Rei. “A esperança é de que, com essa descoberta, o procedimento tenha sucesso. Quando presumimos que o ouro das nossas muitas Minas já (quase) se esgotou, há outras riquezas reservadas, ainda que temporariamente ocultas sob os caminhos da Estrada Real”, afirma o conselheiro. Ele teme, no entanto, pela segurança do sítio, localizado em um ponto ermo na mata: “As pedras do piso poderão ser quebradas ou levadas como relíquias da beata, pois a devoção a ela é grande, ou simplesmente furtadas”.

domingo, 28 de abril de 2013

DOM PEDRO I VIAJOU DE SEGE (CARRUAGEM) PELO CAMINHO DO COMÉRCIO


Sobre os primeiros tempos do Caminho do Comércio, escreveu em 1821 o Desembargador Paulo  Fernandes Viana[1], Intendente da Polícia no Rio de Janeiro: 

“Tive o gosto de ver Sua Magestade por este meio viajar de carruagem por Maricá, Nuan, São Gonçalo, Engenho Novo, Tambi e depois de fazer a picada com que de Iguassu pudesse Sua Magestade ir em sege até o Rio Preto a entrar na Comarca de São João de El Rei, província de Minas Gerais, ajustei essa estrada com todas as pontes precisas e cobertas por 48 contos de reis a pagamentos de 8 contos de 6 em 6 mezes, para facilitar d’este modo em carros a condução dos frutos d’aquella província para esta, e do interior de todas as fazendas, estabelecendo assim um manancial de riquezas para esta Côrte...”

Intendente Paulo Fernandes Viana - um dos responsáveis pela abertura do Caminho do Comércio




[1]  Abreviada demonstração  dos trabalhos da Polícia em todo o tempo que a servio o Dezembargador do Passo Paulo Fernandes Viana.  Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.  1892, Tomo LV, parte 1, p. 376.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Naturalistas e as plantas úteis nativas do sul de Minas Gerais



Maria das Graças Lins Brandão
DATAPLAMT – Museu de História Natural e Jardim Botânico & Faculdade de Farmácia, Universidade Federal de Minas Gerais
A flora brasileira representa uma das mais importantes fontes de novos produtos farmacêuticos, cosméticos e nutracêuticos, devido a sua biodiversidade e o uso tradicional associado. Na década de 70, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a reconhecer as plantas medicinais como importante fonte de medicamentos e em 2002, ela instituiu um programa para estimular as pesquisas de validação das espécies que contam com histórico de uso há séculos. Validar uma planta significa avaliar seu potencial farmacológico e confirmar a ausência de toxicidade. Somente assim, elas podem ser transformadas em produtos de uso coletivo e em saúde pública. O Programa da OMS prioriza os estudos com plantas usadas na medicina tradicional chinesa, indiana, arábica e pelos índios americanos. Recuperar informações sobre as plantas medicinais nativas do Brasil, e promover seu melhor aproveitamento é, portanto, de grande relevância, e precisa ser priorizado. Isto porque os contínuos impactos sobre a vegetação nativa brasileira têm conduzido a uma intensa erosão genética e cultural, afetando o conhecimento sobre as plantas úteis nativas do Brasil. Estudo recente vem demonstrando, por exemplo, que o conhecimento tradicional sobre as plantas encontra-se acumulado em pessoas muito idosas, e ele não vem sendo repassado para as novas gerações. Outra consequência observada é que, diferente do observado no passado, a maior parte das plantas usadas como medicinais hoje (como hortelã, camomila, capim santo e manjericão) são nativas de outros continentes; elas vêm sendo introduzidas aqui desde os primeiros tempos da colonização portuguesa.
Muitas informações sobre o uso tradicional das plantas encontram-se nos materiais produzidos no século XIX. O botânico francês Auguste de Saint-Hilaire é um dos que deixou um dos mais preciosos legados: informações sobre o uso tradicional de mais de 300 plantas nativas de Minas Gerais foram registradas na sua obra, inclusive nos cadernos de campo (depositados no Museu de História Natural da França, em Paris). Em uma das notas desses cadernos, por exemplo, Saint-Hilaire descreve a existência do “Soita cavallos branco” (ou Açoita cavalos), perto da Fazenda das Laranjeiras, na antiga rota do comércio, em Andrelândia - MG (Figura 1a). Este nome popular é dado a espécies de Luehea, especialmente a Luehea divaricata Mart., planta da família das Malvaceaes. Saint-Hilaire descreve vários usos para a planta em seu livro Plantas Usuais dos Brasileiros, publicado em 1824:

“Serve-se de sua casca para curtir o couro. Uma outra árvore do mesmo gênero, também originária do Brasil, a Luhea divaricata, tem uma madeira branca, tenra e leve, mas, ao mesmo tempo de um granulado comprimido que pode ser trabalhado
com facilidade e vantagens, e que é empregado em diferentes
obras, sobretudo para coronhas de fuzil. É provavelmente por
causa das mesmas qualidades que com a madeira da Luhea
grandiflora fazem-se solas de calçados para caminhar nos pântanos.
Em geral, é aquela que de todas as espécies desse gênero, das
quais as últimas viagens ao Brasil aumentaram o número, oferece
esta dupla vantagem da firmeza unida à flexibilidade; daí o uso
geral que se faz de suas varetas para chicotear os animais de
carga, e o nome vulgar, e por assim dizer genérico, de Açoita
cavalos, que traz a maioria dessas árvores.”
Auguste de Saint-Hilaire
Plantas Usuais dos Brasileiros, 1824

Em 1843, outro importante naturalista, o alemão K.F. von Martius, registrou com detalhes o uso tradicional da planta, em seu livro específico sobre plantas medicinais, Systema de Materia Medica Vegetal Brasileira:

“A casca da arvore, que assaz frequentemente se encontra na provincia de Minas, deve contar-se entre os productos adstringentes; e supposto possua esta qualidade em menos em menor gráo do que outras, assentei contudo que não devia omitti-la, por ser de regiões elevadas, onde as arvores idoneas para a preparação das pelles são muito menos freqüentes do que nas terras baixas, povoadas de vegetais sempre verdes. Emprega-se em fomentações adstringentes nos tumores rheumaticos das articulações; assim como em crysteis nas diarrheas chronicas, e injeções, e injeções na leucorrhéa.”

Von Martius
 Systema de Materia Medica Vegetal Brasileira, 1843.


Outra planta importante, cujo emprego foi observado pelos naturalistas na região do caminho do comércio, foi o mate, Ilex paraguariensis A. St-Hil. Saint-Hilaire foi responsável pela descrição botânica desta espécie, cujo uso lhe chamou a atenção enquanto percorria o sul do Brasil. O chá da planta já era usado pelos ameríndios antes da chegada dos europeus ao Continente e esta prática acontecia também no sul de Minas Gerais (Figura 1a). A planta foi cultivada comercialmente nos arredores do caminho do comércio e este foi, muito provavelmente, uma das vias de escoamento da produção.  Amostras da planta foram coletadas pos Saint-Hilaire na região de Barbacena (figura 2b) e nas redondezas de Carrancas. Infelizmente, o cultivo e o comércio do chá mate em Minas Gerais foram desativados e hoje, um dos últimos indivíduos pode ser observado na região de Andrelândia (figura 2c).  O mate tem uso extensivo e atual na Argentina, Paraguai, Uruguai e sul do Brasil, e é hoje um dos principais produtos de exportação daquela região. As folhas são estimulantes, devido ao elevado teor de cafeína, e também digestivas. Estudos recentes confirmaram a ação benéfica do chá da planta como colerético (estimla a secreção de bile), confirmando assim o seu uso tradicional.
Infelizmente, informações tradicionais sobre espécies nativas do Brasil, como o Açoita cavallos ou a congonha, vem ao longo dos séculos caindo no esquecimento, sendo muito pouco aproveitadas pelos próprios brasileiros.  Além de manter a tradição, o uso comercial dessas e outras plantas úteis e medicinais poderia representar uma fonte de renda importante para as comunidades locais. Desde 2003, a equipe do Banco de Dados e Amostras de Plantas Aromáticas, Medicinais e Tóxicas, sediado no Museu de História Natural e Jardim Botânico da Universidade Federal de Minas Gerais (DATAPLAMT-UFMG) vêm desenvolvendo, com contínuo apoio da FAPEMIG, uma série de atividades visando recuperar dados e imagens de plantas com histórico de uso tradicional em Minas Gerais. Estas pesquisas, com característica transdisciplinar, já renderam diversas publicações e um banco de dados e imagens das plantas, disponível na internet (www.dataplamt.org.br). O DATAPLAMT é também um depositário de plantas medicinas certificadas, ou seja, padrões de referência farmacopéicos, que são usados para estudos comparativos de controle de qualidade. O objetivo de todos os trabalhos é manter vivo o conhecimento sobre as plantas brasileiras, e promover seu melhor aproveitamento.


Figura 1a. Caderno de campo de Auguste de Saint-Hilaire: ver número “143 Malvacée”, linhas 9 e 10, “...prés la Fazenda das Laranjeiras, N.V. Soitta cavallos branco...”

                                           

Figura 1b. Luhea divaricata, em Mariana,      

                

Figura 1c.  Amostra coletada por Saint-Hilaire





Figura 2a. Caderno D de Auguste de Saint-Hilaire: “... 483 ...  N.V. Congonha da miúda ... arvore do matte...”


                                    
Figura 1b. Amostra coletada em Barbacena, por A. de Sait-Hilaire

                    


Figura 1c. Um dos últimos exemplares de Ilex paraguariensis A. St.-Hil. (matte ou congonha) em Andrelândia

sábado, 6 de abril de 2013

Caminho das viagens do naturalista francês Saint-Hilaire é redescoberto por autor mineiro em livro bilíngue e ricamente ilustrado.


Caminho das viagens do naturalista francês Saint-Hilaire é redescoberto por autor mineiro em livro bilíngue ricamente ilustrado.

O Caminho do Comércio é citado na obra.

No dia 03 de abril de 2013, na sede da Aliança Francesa de Belo Horizonte o médico e escritor mineiro Eugênio Marcos Andrade Goulart lançará seu livro “Viagens do naturalista Saint-Hilaire por toda Província de Minas Gerais”, um livro bilíngue, com textos em português e francês e cerca de 100 fotografias e imagens, onde o autor refaz o trajeto de Saint-Hilaire em Minas Gerais, e nos leva com ele por um incrível passeio repleto de história e paisagens belíssimas, fazendo um paralelo interessante entre o século XIX e os dias atuais.

Na página 126 está escrito sobre a passagem de Saint-Hilaire pela cidade de Andrelândia no início do Século XIX:
"Comentou sobre a nova estrada que passava pela região, que ficou conhecida depois como Caminho do Comércio. Escoava a produção do sul de Minas para o Rio de Janeiro, principalmente bois e porcos, e chegou a um tráfego tão intenso que até hoje podem ser vistos algum valos deixados por carros de bois. Passava pelo povoado do Turvo, hoje Andrelândia, e nas proximidades pernoitou na Fazenda Laranjeiras. Andrelândia investe seriamente em levantar fatos do seu passado e na cidade existe o Núcleo de Pesquisas Arqueológicas do Alto Rio Grande. E por perto existe uma reserva particular do patrimônio natural com pinturas rupestres bem preservadas, datadas de 3500 anos, onde podem ser identificados o sol, a lua, vários animais, além de muitos símbolos indecifráveis".

Sobre Saint-Hilaire
O naturalista francês Auguste Saint-Hilaire ficou seis anos no Brasil, entre 1816 e 1822. Nesse período percorreu mais de 16 mil quilômetros por diversas regiões e, como consequência de um hábito cotidiano e rigoroso, redigiu milhares de páginas, que resultaram em vários livros e relatórios. Saint-Hilaire foi um dos primeiros europeus a enfrentar as adversidades do “Novo Mundo” apenas com o intuito de exercer atividades científicas.
Em Minas Gerais, que destacou sempre como a região que melhor acolhida o propiciou, fez três longas viagens, percorrendo a província no sentido sul a norte e leste a oeste, por áreas povoadas e desertas.
Sobre o livro
É um livro de leitura agradável e instrutiva, um precioso registro do Brasil dos anos 1800 em contraponto com os dias atuais, com enfoque relacionado à biologia, história, geografia, antropologia, além de outros, do até então desconhecido interior selvagem do continente americano. Sem qualquer dúvida é uma obra de grande interesse para os muitos leitores do Brasil e da França que apreciam esses temas, já que é bilíngue, em português e francês.
Sobre o autor
Eugênio Marcos Andrade Goulart é professor do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais e Diretor de Publicações Científicas e Literárias do Projeto Manuelzão da UFMG. Experiente conhecedor de muitas regiões de Minas Gerais, tem interesse especial pela bacia hidrográfica do Rio das Velhas, no centro-norte mineiro e eixo de atuação do Projeto Manuelzão, e pelas trilhas desertas da Serra do Espinhaço, principalmente entre Ouro Preto e Diamantina. Além de diversas publicações na área médica, é autor dos seguintes livros: "Nos ermos e nas brumas da Serra do Espinhaço" (2001); "De Lucy a Luzia - a longa jornada da África ao Brasil" (2006) - livro premiado pelo Ministério de Ciências e Tecnologia em concurso sobre Divulgação Científica; "Ocultas Minas no Sertão do Gerais" (2008); "O Caminho dos Currais do Rio das Velhas - a Estrada Real do Sertão" (2009); e "O viés médico na literatura de Guimarães Rosa" (2011) - livro premiado pela Academia Mineira de Medicina em concurso sobre Excelência Médica. O livro "Viagens do naturalista Saint-Hilaire por toda Província de Minas Gerais" (2013) é a mais recente obra do autor.


Mais informações pelo telefone: 3551 1361 ou e-mail legraphar@gmail.com
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